Sob o título “Patrimônio Imaterial”, os Correios da Croácia (Hrvatska pošta) emitiram, em 5 de junho de 2025, uma série que reúne dois motivos inscritos na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO:

✅ as festividades de Tripunda e a dança em círculo de São Tripun — celebrações dedicadas ao padroeiro da Diocese de Kotor e levadas à Croácia por migrantes da Baía de Kotor ao longo de gerações — e
✅ a Arte da Falcoaria na Croácia, igualmente reconhecida pela UNESCO e já oficialmente registrada como bem imaterial pelo Ministério da Cultura. A novidade que tem valores faciais de € 1,70 cada (1,70 euro × 2), contaram com design de Orsat Franković, de Zagreb, a partir de fotografias de Nedim Polovina e Petra Ana Čubelić. Os novos selos, que medem 35,50 × 35,50 mm, foram impressos em papel branco gomado de 102 g, com perfuração em pente 14, pela AKD d.o.o. (Zagreb), em técnica de impressão offset multicolorida; com tiragemde 25.000 exemplares por motivo. Do ponto de vista iconográfico, a emissão valoriza práticas e rituais vivos, registrando-os em linguagem fotográfica e gráfica contemporânea e reafirmando o papel do selo como suporte de difusão cultural.

No caso da falcoaria, o tema dialoga com uma tradição milenar documentada no país: em 1070, à época do rei Pedro Krešimir IV, o falcoeiro Apricije detinha posição tão elevada que possuía inclusive prerrogativas judiciais e direito a selo; a própria palavra “sokolar” figura entre as mais antigas do croata registradas em alfabeto latino, na chamada Confirmação da doação de Radovan (1070). A memória local associa ainda a presença de um falcoeiro à coroação do rei Tomislav em 925, e a fascinação pelas aves de rapina remonta à Pré-História: na caverna próxima a Krapina, neandertais teriam confeccionado há cerca de 130 mil anos um colar de garras de águia hoje preservado no Museu de História Natural de Zagreb. Ao longo dos séculos, civilizações que passaram pelo território croata deixaram representações de aves de rapina e de caçadas com falcões, do águia de Zeus do antigo centro romano de Asterije, nas imediações de Benkovac, aos capitéis bizantinos da Basílica Eufrasiana em Poreč e aos esteques bogomilos da Dalmácia, com notáveis cenas de caça; em igrejas católicas, a águia frequentemente simboliza São João. Entre registros medievais e modernos, destacam-se o mais antigo retrato preservado de uma ave de rapina no reverso de um altar de igreja paleocristã em Zadar (século XI), o cavaleiro em caça com ave no braço em esteque do mesmo período, a imagem do falcoeiro a cavalo com cão de caça no Missal de Hrvoje (1404) em Split e a descrição quase idêntica de Marko Marulić em sua Judita (1521). A República de Dubrovnik, por sua vez, chegou a mercadejar a liberdade de navegação no Mediterrâneo com falcões treinados por seus mestres locais, fato documentado no Arquivo de Dubrovnik; já no século XIX, o pintor Ferdinand Quiquereza registrou em 1878 um jovem na Eslavônia com um açor munido de oputas, e, no início do século XX, jornais noticiaram o falcoeiro zagrebino Oskar Furmin. Reconhecida como “arte” pelo fino enlace de confiança, respeito e dedicação entre homem e ave, a falcoaria figura desde 1994 na Lei de Caça da Croácia; a tradição, essencialmente estável desde os tempos de Frederico II ou de Kublai Khan, conserva equipamentos clássicos — luva, oputas e capuz —, com criadores nacionais que mantêm linhagens de falcões, açores e águias e mentores autorizados que preparam candidatos a exames específicos.

















