Apresentamos, na publicação de hoje, o romance “Tutti gli indirizzi perduti” (Todos os endereços perdidos, numa tradução livre) da escritora italiana Laura Imai Messina (240 páginas, 2024).
Na história Risa, a protagonista, chega a Awashima em uma manhã fria de primavera, trazendo consigo uma bolsa misteriosa repleta de envelopes. A ilha é linda, cheia de luz, mas está se despovoando: as escolas estão fechando e os habitantes estão envelhecendo. No entanto, ali existe um pequeno escritório de correios realmente único. Ele coleta toda a correspondência que, proveniente de todas as partes do Japão e do mundo, é enviada, mas não pode ser entregue ao destinatário. Na prática:

“Awashima é o endereço que acolheu todos os endereços perdidos da terra”.

Risa se ofereceu para catalogar as inúmeras cartas que chegaram ao Escritório Postal à Deriva (este é o seu nome) ao longo de dez anos. Há quem escreva ao marido que não está mais aqui, quem se dirija ao próprio travesseiro, quem pede perdão a uma lagartixa da qual roubou a cauda quando criança, quem se lembre da velha vizinha que lhe lia livros quando ele era pequeno, e quem envia cartões-postais à mãe que se tornará, na esperança de transmitir alegria. É um trabalho enorme o que Risa assumiu, como peneirar o oceano, mas ela o faz por razões de coração. Porque seu pai é carteiro e trabalhou toda a vida para que nem uma única carta se perdesse. Se do pai ela aprendeu a dedicação e a tenacidade com que se pode cuidar das coisas e das pessoas, a herança que a mãe deixou é muito mais complicada. Sua mãe foi uma mãe intermitente, que conhecia palavras mágicas para evocar criaturas da floresta e cujo olhar ofuscado se iluminava de repente acerca daquilo que para os outros permanecia invisível. Sua mãe lhe ensinou a poesia e a curiosidade em relação ao que é estranho, porque:

“é do encontro com os desconhecidos que pode nascer o extraordinário”.

Mas Risa veio para Awashima também por outro motivo, que até agora manteve em segredo. A suspeita – ou a esperança – de que entre aquelas milhares de palavras de amor, arrependimento, gratidão, reprovação e alegria, algumas sejam destinadas a ela.
Trata-se de um romance feliz, cheio de encanto, sobre o poder da escrita e sobre a maravilha que pode surgir da confiança nas relações, mesmo aquelas entabuladas com os desconhecidos.

Quanta autora, Laura Imai Messina (1981), cabe observar que a mesma nasceu em Roma. Aos vinte e três anos, mudou-se para Tóquio, onde obteve um doutorado em Literatura. Atualmente, ensina italiano em algumas das mais prestigiadas universidades da capital japonesa. É autora de romances, ensaios e histórias para crianças. Em 2020, publicou “Quel che affidiamo al vento” (Piemme), um caso editorial traduzido em mais de vinte línguas. Também pela Piemme, lançou em 2022 o romance “L’isola dei battiti del cuore”. Pela Einaudi, publicou “Tokyo tutto l’anno. Viaggio sentimentale nella grande metropoli” (2020 e 2022), “Le vite nascoste dei color” (2021 e 2022), “Il Giappone a colori” (2023) e “Tutti gli indirizzi perduti” (2024). Colabora com diversos suplementos culturais italianos e com a rádio e televisão japonesa NHK. Vive entre Kamakura e Tóquio com o marido Ryosuke e os filhos, Claudio Sosuke e Emilio Kosuke.

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