O bordado de Lefkara, também conhecido como Lefkaritika, é uma das tradições artesanais mais refinadas do mundo e tem origem na vila de Lefkara, no Chipre, sendo reconhecido desde 2009 como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO. Sua formação remonta aos séculos XV e XVI, período em que a ilha esteve sob domínio veneziano, quando técnicas e estilos trazidos pelas damas de Veneza influenciaram decisivamente o desenvolvimento desse tipo de bordado.

A tradição local ainda preserva a narrativa segundo a qual Leonardo da Vinci teria visitado a vila em 1481 e adquirido um pano de altar bordado, posteriormente oferecido à Catedral de Milão, episódio que teria contribuído para a projeção internacional do estilo.

Do ponto de vista técnico, o bordado de Lefkara distingue-se por apresentar acabamento idêntico em ambos os lados, sem avesso visível, característica que exige elevado domínio artesanal. Tradicionalmente, é confeccionado em linho de tonalidade natural ou crua, utilizando fios de algodão de origem francesa, e combina elementos específicos como o ponto de bainha, o ponto cheio conhecido como anavato, o corte de fios denominado gofto e o preenchimento de delicados padrões rendados. Os motivos decorativos são rigorosamente geométricos e repetitivos, com destaque para desenhos como o “Rio” (potamos), zigue-zagues e formas em losango. Culturalmente, o saber fazer é transmitido de geração em geração pelas bordadeiras, chamadas lefkaritisses, enquanto, no passado, a comercialização das peças sustentava economicamente a vila, sendo realizada pelos homens, conhecidos como kentitarides, que percorriam diversas regiões da Europa para vender os bordados.

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