A guerra recolocou sob os holofotes especializados os selos emitidos pela Ucrânia, invadida pela Rússia, lembrando que a filatelia reflete a sociedade do tempo em que cada peça viu a luz. Nos primórdios após a independência, há mais de um século, o país recorreu ao pintor Georgi Ivanovich Narbut (1886–1920) para construir uma imagem própria, distinta do passado e dos vizinhos — em paralelo ao que Viena teve com Koloman Moser e Praga com Alphonse-Maria Mucha.

Entre os fundadores e reitor da Academia Nacional de Belas-Artes e Arquitetura, iniciada em 1917, Narbut foi o primeiro professor de desenho gráfico e atuou também em cédulas, brasões, mapas e numerosas ilustrações para revistas e livros. A ele se atribui a primeira série do Estado independente: lançada em julho de 1918 na versão sem denteação, foi seguida, no ano seguinte, pela mesma série denteada, com valores de 10, 20, 30, 40 e 50 shah.

O conjunto apresenta símbolos oficiais em molduras decorativas — o tridente, o camponês e a deusa da fertilidade dos campos, Ceres —, e teve ainda tiragem em papel espesso com inscrições no verso para emprego como moeda; em 1919, os valores de 10 e 50 foram sobrecarregados para 35 e 70 copeques russos, com uso em Mariupol.

Para reafirmar a continuidade a despeito do longo período soviético, a série ordinária que chegou aos balcões em duas etapas, em 16 de maio e 17 de junho de 1992 (0,50; 0,70; 1,00; 2,00; 5,00; 10,00; 20,00; 50,00 karbovanec), retoma, em versão modernizada, a mesma imagem da divindade romana presente no antigo 50 shah.

O percurso de memória filatélica inclui ainda a homenagem local a Narbut com selo de 3,33 grívnia, emitido em 10 de março de 2006: no selo figura uma obra do artista e, na vinheta (bandella) associada — presente na folha com onze exemplares —, aparece o seu retrato.

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