Na interseção entre literatura e filatelia, o romance “La cassetta delle lettere per i cari estinti” (A caixa de cartas para os entes queridos falecidos, numa tradução livre), de Lorenza Stroppa, oferece outro exemplo particularmente interessante para os colecionadores de selos. A obra, apresentada em 6 de novembro de 2025, tem um título explicitamente construído em chave postal. Trata-se de um romance de 264 páginas, ao preço de 19,00 euros, publicado pela casa editora Mondadori.
O enredo da obra literária gira em torno de Arturo, protagonista descrito pela editora como alguém capaz de “intuir o invisível” e levar à plenitude certas potencialidades, tanto na vida profissional quanto na pessoal. Ele leciona História da Arte e se distingue por manter a curiosidade em relação aos alunos, enxergando além da “armadura” de desinteresse e arrogância com que os jovens se protegem do mundo. No cotidiano, a mesma inventividade aparece na forma como transforma objetos banais: um escorredor de pratos, visto do ângulo correto, substitui o chuveiro quebrado; um secador de cabelos pode ser convertido, com uma combinação de ciência e criatividade, em um “fabricador de nuvens”. Quando o mau humor o domina, ele busca alívio em caminhadas meditativas pelo campo nos arredores de Pordenone, acompanhado do cão Napoleone. Esses elementos constroem o perfil de um personagem que habita a fronteira entre o prosaico e o poético, território em que a filatelia costuma encontrar bons pontos de apoio.
É no modo como Arturo lida com o luto, porém, que o romance passa a dialogar diretamente com o universo postal. Diante da dor pela perda de pessoas queridas, ele cria a “cassetta delle lettere per i cari estinti” que dá título ao livro: um recipiente especial ao qual são confiadas as palavras que não se conseguiram dirigir, em vida, aos entes amados que já não estão presentes. Segundo as próprias regras que estabelece, Arturo deveria esvaziar esse compartimento sem abrir as cartas; no entanto, descobre que mergulhar na dor alheia o ajuda a elaborar a sua, e assim passa a lê-las uma a uma, deixando que o sofrimento dos outros vá, pouco a pouco, dissolvendo o próprio. Do ponto de vista da filatelia, essa “cassetta” literária funciona como uma espécie de caixa de coleta simbólica para uma correspondência impossível de ser entregue em termos postais concretos, mas absolutamente coerente com a ideia de carta como veículo de memória, despedida e reconciliação.

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